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ARTES MARCIAIS

 

As bem chamadas "artes" marciais constituem a possibilidade da consecução permanente na conquista do equilíbrio através da ação-reação. Esta dança, reflexo da [dança] cósmica, permite a defesa e o ataque e o intercâmbio rítmico das energias amigo-inimigo, eu e o outro, no qual um deles deverá necessariamente impor-se para que possa se perpetuar a harmonia universal por meio da desarmonia do vencedor e do vencido.

As artes marciais tradicionais jamais consideraram o extermínio do adversário, senão que, pelo contrário, costumam utilizar a energia do inimigo para deixá-lo desarmado e, portanto, indefeso e rendido, mesmo tendo em conta o seu furor.

Alguns estrategistas afirmam que uma boa defesa consiste num bom ataque e alegam importantes razões a seu favor. Igualmente na guerra às vezes os vencedores costumam ser os vencidos. Não se pode entrar na batalha com a onipotência do que não respeita as leis da guerra, e muito menos se não se tem a convicção de vencer.

Há dois grandes princípios na estratégia que podem ser a causa da impecabilidade de um guerreiro: a) não subestimar o adversário; b) não mostrar as armas ao inimigo (Tao Te King). Ademais, deve saber o guerreiro de que suas emoções são secundárias sempre que sua causa seja justa. Na eleição dessa causa e no conhecimento que isso supõe está a chave do sucesso final. Caberia também enumerar uma terceira regra: deixa as pegadas necessárias para que tenham que se enfrentar contigo. O perseguidor está sendo perseguido. Conquanto isto não é o fim de nossos estudos –que aspiram à Metafísica- não deixam de ser úteis estas advertências em certas ocasiões.

 
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EXERCÍCIO RESPIRATÓRIO

 

Ensaiaremos um exercício respiratório baseado na primeira Tríade da Árvore da Vida. Não só o diagrama Sefirótico se divide em quatro planos (Atsiluth = Fogo, Beriyah = Ar, Yetsirah = Água, Asiyah = Terra), mas também cada uma de suas colunas (a da Força ou ativa, a da Forma ou passiva, e a do Equilíbrio ou neutra), por sua vez representa: o princípio ativo do fogo, expressado pela letra mãe hebraica Shin; seu oposto, o princípio passivo da água, significado pela Mem; e o neutro do ar que corresponde à letra Alef. Por isso, Kether, pertencendo à coluna central, ou neutra, tem de levar à toda a Árvore o hálito vital, que recebe desde seus inícios a contradição do fogo (coluna da Força formada por Hokhmah, Hesed e Netsah) e da água (coluna da Forma constituída por Binah, Gueburah e Hod).

Assim, pois, você, localizado no eixo polar da Árvore Cósmica e do mundo, aspirará a energia infinita de En Sof, que ao ser expelida conformará simultaneamente o fogo positivo de Shin e a água negativa de Mem, os quais num ponto deixarão de se opor para se multiplicarem e sobrevirão finalmente em Malkhuth, a Rainha (equiparada ao princípio do elemento terra) no plano ou mundo de Asiyah.

Da terra, voltará a ser aspirada pelo vento de Kether, a letra Alef, a primordial, da qual tudo é exalado e na qual tudo é reabsorvido. Você é o criador da Árvore da Vida, que se articula e se harmoniza através de seu próprio processo respiratório, que volta novamente a você, para ser reintegrada no Si Mesmo.

Inale a luz incriada de En Sof e com sua expiração, lenta e prolongada, converta-se no vento original que impulsiona a máquina do mundo. O ativo e o passivo tendem a desequilibrá-lo vez por outra, mas você conserva seu rumo independente, absolutamente eqüidistante de ambos. Seu caminho é dificultoso e deve ultrapassar todos os obstáculos. Leve as emanações e vibrações mais sutis das sefiroth da Árvore e faça com que elas se materializem na terra, para assim poderem ser reintegradas a você mesmo, pois é o alimento e a energia da qual precisa se reabastecer para viver.

Você é Kether, e seus lados esquerdo e direito, Hokhmah e Binah. A Terra é o firme embasamento de seus pés e esta totalidade do conjunto dos elementos se transfere a seu corpo e você é capaz de perceber a idéia da plenitude, e da totalidade.

 
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CIÊNCIA

 
A Antigüidade não estabelecia diferenças nítidas entre Ciência, Arte e Filosofia. Igualmente os alquimistas medievais se autodenominavam tanto artistas como filósofos, e ao se referirem a suas atividades, faziam-no chamando-as Ciência. Desse modo a vinculavam com a Ciência sagrada e tradicional que não excluía as disciplinas cosmológicas nem a meditação Metafísica, e tampouco o rito e a oração, segundo pode se ver em todos os documentos emanados de suas mãos, que unanimemente o atestam.

A Ciência, tal qual a conheciam os antigos, não tinha nada que ver com um método literal, como a concebem nossos contemporâneos (nascida esta idéia com Descartes no Discurso do Método, aparecido recém no século XVII) e menos ainda pensavam em sua substituição pela "técnica" ou "técnicas", modos de ver estes exclusivamente empíricos e racionais, em contraposição com a universalidade da autêntica Ciência. A chamada ciência moderna, fundamentada na estatística e na comprovação de um mesmo fenômeno em circunstâncias "ideais" não é de nenhuma maneira exata, como bem o sabiam os alquimistas medievais (que repetiam um mesmo experimento centos de vezes, sabendo que as circunstâncias eram sempre distintas, para obter finalmente resultados palpáveis de transmutação natural), pois é sabido que as mesmas coordenadas espaço-temporais não se dão de uma mesma maneira indefinida num suposto mundo imóvel, frio e irreal (o que se entende equivocadamente como "matemático"), e a melhor comprovação disso é a observação atenciosa da terra e do céu, do macrocósmico e microcósmico, sempre em contínuo movimento e perpétua geração de novas formas de vida.

Por outro lado, queremos destacar que esta ciência "moderna", à qual estamos nos referindo, é na verdade um esquema "antiquado" do século XIX, que paradoxalmente permanece vigente nas casas de estudo oficiais. No entanto, as comprovações da mais moderna ciência, ocorridas aproximadamente desde uns 50 anos para cá, com uma concepção absolutamente diferente do racionalismo mecânico, tocam-se com as concepções da Antigüidade e descrevem uma cosmologia análoga à das doutrinas tradicionais de todos os lugares e tempos, segundo daremos algum exemplo em subseqüentes séries e capítulos.

 
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O ALTAR

 
Arquitetonicamente, o Altar ou Ara é a "pedra fundamental" do templo. Ainda que na prática, e desde o ponto de vista microcósmico, o trabalho de construção material e de processo do Conhecimento, se realize de baixo para cima, da multiplicidade à Unidade arquetípica, na realidade deve ter-se sempre presente o ponto de vista metafísico, que considera o processo cosmogônico como um passo dessa mesma Unidade à multiplicidade ou de cima para baixo.

Neste sentido, a pedra fundamental do altar, por estar situada no centro do próprio quadrado, ou retângulo, da base, é a projeção direta e vertical da pedra angular ou pedra cimeira, que constitui a autêntica peça chave da abóbada do templo. Por sua vez, as quatro pedras de fundação das esquinas ou ângulos do edifício, são outras tantas projeções ou reflexos horizontais da pedra fundamental. Obtém-se assim um esquema simbólico onde o altar ocupa uma posição intermediária e central entre o mundo terrestre e o celeste.

O altar está, pois, no Centro do Mundo, ou seja, no lugar geométrico ideal e simbólico onde se produz a ruptura de nível, que comunica o homem com os estados superiores e as realidades invisíveis. A este respeito, a palavra altar quer dizer "alto", lugar elevado, o que a relaciona à montanha, e mais concretamente à Montanha Sagrada.

Nos templos-montanhas, como certas pirâmides pré-colombianas e os zigurates babilônicos, os altares se situam na cúspide, simbolizando a idéia de lugar privilegiado próximo ao Céu. Nos templos cristãos, as arquibancadas (graus) que elevam e separam o altar maior com relação ao resto da nave, têm este mesmo significado: o altar cristão, como seu antecessor, o altar hebreu, está simbolicamente no alto da montanha do Paraíso. Se o templo é um organismo vivo, o altar é propriamente seu coração. Nele se concentra e se expande, como se da sístole e da diástole cordiais se tratasse, toda a energia sutil que dá coesão ao conjunto do edifício. O altar é o ponto sensível, o nódulo vital que reúne as energias horizontais e verticais do templo, por meio das quais, ao percebê-las em sua própria natureza, o homem é conduzido a participar da despojada beleza que emana de todo ele, revelador do equilíbrio e harmonia da criação.

Por isso no Templo de Jerusalém –feito construir pelo sábio rei Salomão–, a Arca da Aliança, em cujo interior eram simbolicamente recolhidos os eflúvios divinos, estivesse depositada em cima da pedra chamada Shetiyah, equivalente ao altar.

É também a “ara” a pedra de sacrifício, ali onde se consuma o ato sagrado por excelência: a morte ritual do homem velho, e o nascimento e ressurreição à verdadeira Vida. Na pedra sacrifical, ou alma humana, que chegou ao centro de si mesma, isto é à "união" com o Espírito, é crucificada e oferecida aos deuses, ou à divindade, instituindo por esse ato primordial uma aliança, ou um laço comum, indissolúvel.

 
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OS SONHOS

 

Em todas as cosmogonias tradicionais, os sonhos sempre foram considerados como veículos intermediários entre a realidade concreta e sensível e a realidade espiritual e Metafísica. Isto se deve à razão de que os sonhos pertençam precisamente ao estado sutil intermediário, ou seja, ao plano de Yetsirah ou das formações, participando portanto da dualidade inerente ao citado plano, o que os faz suscetíveis de oferecer um aspecto escuro e inferior, ligado ao orgânico e, por conseguinte, ao plano de Asiyah, e outro aspecto, pelo contrário, luminoso e superior, relacionado com o plano de Beriyah e o mundo das idéias. Não seria um erro dizer que é ao primeiro destes dois aspectos ao que presta todo seu atendimento a psicanálise freudiana, que se cinge exclusivamente ao fenomênico, aprofundando nisso, enquanto é o segundo o que verdadeiramente é importante e significativo, pois as imagens que constituem seu conteúdo não são senão idéias revestidas de formas mentais, podendo ser consideradas então, efetivamente, como autênticos símbolos veiculares e reveladores do que está mais além do individual e, por conseguinte, do fenomênico, ou seja, que abrem a determinadas possibilidades de realização interior, com a vantagem de que o ser, no estado de sonho, encontra-se liberado de certas condições implícitas na modalidade corporal e, portanto, espacial, de sua individualidade. Temos o exemplo do conhecido "sonho" de Jacob, durante o qual este vê anjos (os estados superiores) ascender e descer por uma escada, que é o Eixo do Mundo unindo terra e céu, sem esquecer da importância concedida a determinados sonhos em todas as vias iniciáticas, e muito especialmente nas xamânicas de qualquer parte do mundo, que quase sempre se tratam do recebimento de um desígnio, ou de uma revelação concedida pelos espíritos, númenes ou deuses.

 
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REALIDADE OU FICÇÃO?

 

Se a vida é ilusão para o hinduísmo, para o budismo, e desta forma os mestres herméticos o afirmam, o que será então a realidade? E, igualmente, o que será esta ficção? Se o homem é estrangeiro nesta terra, e como tal vive ao começar um trabalho interno alheio aos outros, qual é o critério de "verdade" ou "mentira"? Que soleira sutil se transpassa entre uma forma de ver e a outra? Pois, embora o que se considere mais estranho no homem contemporâneo (do qual somos ainda parte) é sua maneira de se aferrar e se identificar com as coisas, aqueles que se permitem esta atitude interna ou extraterrestre são considerados igualmente estranhos para o meio. Ao se abrir uma porta e dar um passo à frente, as coisas estarão banhadas de uma outra luz e de um outro conteúdo. Se fecharmos essa porta e dermos um passo para trás, essas mesmas coisas aparecerão familiares em seu nível rasante e cotidiano. Realidade ou ficção? Permitir-se ver é algo castigado pela sociedade que não aspira a estes projetos. Do mais íntimo do coração alguém se pergunta quem tem razão. Mas será a razão o instrumento adequado, ou a ferramenta que nos permitirá elucidar estas experiências pessoais? Ou será que simplesmente a experiência justificaria toda nossa ação?


fig. 7

 
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MITOLOGIA

 

Das que ainda se tem lembrança de sua existência, a civilização grega é, quiçá, uma das que alberga o maior número de deuses e mitos. Efetivamente, o panteão (palavra que deriva de pan, "todo", e theon, "deuses") grego é verdadeiramente fecundo e prolixo, só comparável ao das culturas hindus, e das pré-colombianas, especialmente a asteca e a maia. O próprio nome “mito" é de origem grega, e sua raiz é a mesma da palavra "mistério", derivando ambas da palavra “muein”, que significa "fechar a boca", "calar-se", aludindo sem dúvida ao silêncio interior em que se recebem os segredos da iniciação. Desde os mistérios órficos, passando pelas iniciações de Eleusis, das quais participaram Pitágoras, Sócrates e Platão, até o crisol de culturas que representou a Alexandria dos séculos II e III de nossa era, a mitologia grega nutriu o universo sagrado de todas as culturas do Ocidente mediterrâneo, particularmente a do Império de Roma.

Cada ciência e cada arte, bem como qualquer atividade manual, racional e intelectual do homem, estava sob a proteção e influência de um deus, musa ou gênio astral, o que redundava numa convivência harmônica com as forças ordenadoras do Cosmo. Os gregos, como qualquer povo tradicional, entendiam que os deuses e as entidades invisíveis eram modos ou formas de ser da existência, e reuniam toda a variada gama de possibilidades essenciais e arquetípicas da conduta e do pensamento humanos. Neste sentido, uma filiação profunda une a deuses e a homens: todos surgem do casal de Urano (o Céu) e Gea (a Terra). Assim, os deuses olímpicos representam os estados superiores do homem, e os homens os estados terrestres dos deuses E isto é, uma vez mais, uma aplicação da lei de analogia, que faz que "o de cima seja como o de baixo, e o de baixo como o de cima”, conformando um todo harmonioso e ordenado.

As relações íntimas entre os deuses e os homens têm, nas tradições greco-romanas, um caráter ambivalente de reconciliação e luta, claramente vinculado com a idéia de empresa heróica, e de reconquista da imortalidade por parte destes últimos; não se faz senão representar, por meio das lendas dos heróis, o próprio processo da Iniciação.

Isto está exemplificado pelo conhecido mito de Ulisses, cantado na Odisséia por Homero, que após uma viagem labiríntica, por mar e terra, cheio de perigos e vicissitudes, atinge por fim sua "terra natal", a ilha de Ítaca. Igualmente por Hércules (ver N. 15), herói solar, que após sofrer diversas provas e trabalhos, consegue penetrar no Jardim das Hespérides, outro dos nomes dados ao Centro do Mundo.

 
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ASTROLOGIA

 

Todos os planetas percorrem aparentemente a roda do zodíaco, e a duração desse percurso é a que determina o ciclo particular de cada um deles, sendo claros os dos dois chamados "luminares", o Sol e a Lua, que produzem os ciclos anuais e mensais. As influências que estes planetas exercem na terra variam, segundo se encontrem numa ou noutra casa zodiacal, pois as qualidades destes signos podem ser afins, indiferentes ou hostis aos diversos influxos planetários.

Seguindo o modelo cíclico solar sobre o qual trabalhamos, o primeiro gráfico, representado mais adiante, é a roda dos signos no céu tal como se vê olhando para o norte: Capricórnio corresponde ao inverno e à meia-noite, Áries à primavera e ao amanhecer, etc. O movimento da roda celeste (em sentido oposto aos ponteiros do relógio) é inverso ao do sol, que se desloca sobre ela em sentido contrário (retrógrado), tal qual o podemos ver na seguinte figura, de uso corrente para efetuar os horóscopos. O movimento do sol é sempre retrógrado, porque se move em sentido contrário ao das estrelas.

Capricórnio se encontra no extremo norte da eclíptica (de onde se deslocará durante 30 dias, até deixar lugar para o signo seguinte) ao meio-dia do dia que corresponde ao solstício de inverno, bem como à meia-noite do correspondente ao solstício de verão, como pontos especialmente destacáveis do ciclo anual, posição celeste que é a que correspondem estas figuras. Entre os demais dias do ano e, portanto, no simbolismo que expressa dito ciclo, assinalam-se igualmente os momentos do amanhecer no equinócio de primavera e o do crepúsculo no equinócio do outono, ainda que sempre há um momento do dia em que se dá esta posição das constelações pois, como sabemos, a roda zodiacal dá uma volta completa em 24 horas.

Já fizemos a advertência de que, para nossos estudos e cálculos astrológicos, unicamente utilizaremos os sete planetas tradicionais, com exclusão de Urano, Netuno e Plutão, já que estes três últimos foram introduzidos recentemente e os estudos sobre os mesmos são incompletos.

Cada planeta tem um ou dois signos zodiacais que constituem seu domicílio, e se diz que eles regem ou governam nestas casas e que suas influências são complementares. Segundo se depreende do seguinte esquema, os luminares têm um só domicílio, enquanto os outros cinco planetas têm dois, um diurno e outro noturno:

Se o planeta se encontra no signo oposto ao de seu domicílio, diz-se que está em “exílio", sendo suas influências contrárias ou desfavoráveis. Além disso, quando a influência planetária é afim à do signo em que se encontra, diz-se que o planeta está em “exaltação", e quando está no oposto suas energias são hostis e o planeta se acha em "queda". Isto se compreende melhor com o seguinte quadro:

PLANETAS DOMICÍLIO EXÍLIO EXALTAÇÃO QUEDA
SOL Leão Aquário Áries Libra
LUA Câncer Capricórnio Touro Escorpião
MERCÚRIO Gêmeos-Virgem Sagit.-Peixes Aquário Leão
VÊNUS Touro-Libra Escorpião-Áries Peixes Virgem
MARTE Aries-Escorpião Libra-Touro Capricórnio Câncer
JÚPITER Sagitário-Peixes Gêmeos-Virgem Câncer Capricórnio
SATURNO Capric.-Aquário Câncer-Leão Libra Áries
 
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EXERCÍCIO RESPIRATÓRIO

 

Você extrai do próprio Nada supra-essencial, incriado e eterno, de En Sof, sua respiração, seu hálito vital, que é a própria da atmosfera vermelho brilhante de Kether, que você exala mediante dois canais: a coluna ou braço esquerdo, e a coluna ou braço direito da Árvore da Vida, que percorre, conformando-o, resolvendo permanentemente a contradição alternada do restritivo e do efusivo, e ultrapassando estas polaridades que não se excluem, mas se correspondem. À tarefa respiratória, adicionaremos a esta prática o gesto. Sente-se na posição costumeira, conservando-se na vertical e relaxado. Junte suas mãos sobre seu peito à altura do coração. Aspire de En Sof o alimento que a você o corresponda, e exale-o para a coluna da força, ou de Shin; o Fogo, para Hokhmah. Simultaneamente tem de fazer um pausado gesto com sua mão para a esquerda, que tem de durar todo o tempo de sua exalação, até se deter. Na próxima aspiração, voltará seu braço e sua mão ao seu peito, respeitando exatamente o mesmo tempo.

Na expiração seguinte, como se efetuou no caso anterior, estenda seu braço e sua mão direita correspondente à coluna da Forma ou do Rigor, Binah, Mem, ou Água. Subseqüentemente, elas regressarão a você, juntando-se sobre seu peito quando aspire.O mesmo gesto tem de se repetir na próxima expiração e seu retorno se realizará na aspiração subseqüente, alternando logo a mão e o braço direito, que repetirão o gesto de ida e retorno com o ciclo respiratório. Você está agora trabalhando com a energia de Beriyah e a emanará para o limite da produção de fenômenos e a Concreção material. Assim o faz ao reiterar o lento gesto de desprendimento e expansão que você efetua com sua mão e braço esquerdo, e o regresso ao peito com o mesmo braço, ou concentração de energias que isso está simbolizando. Igual com o gesto correspondente ao braço direito, de acordo ao mesmo ritmo respiratório. Após tê-lo efetuado três vezes com cada braço, nas seguintes 3 expirações, você move simultaneamente ambas as mãos e braços em atitude de dar e oferecer, dando nascimento, na primeira, a Tifereth, na segunda a Yesod, e na terceira a Malkhuth: ao Cosmo inteiro, que como um balão, uma bola de energias, você sustenta em suas mãos. Cada vez os regressará ao centro de seu peito, para Kether, na atitude de receber e apreender. Pode repetir este ciclo várias vezes, e com a última aspiração para Kether dará por finalizado este exercício. É importante conseguir a coordenação de ritmos, imagens e movimentos.

 
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CABALA

 
Divisão dos 4 planos da Árvore de Vida em correspondência com outras linguagens simbólicas presentes em textos sagrados hebreus:

Os termos hebreus Arik Anpin e Zeir Anpin –Macroprosopos e Microprosopos–, em grego querem dizer, respectivamente, "Face Maior" e "Face Menor". Estes se encontram separados por um fosso imenso chamado o Abismo (Tehom). Entre eles se costuma situar a sefirah "invisível", ou não-sefirah, Daath, Conhecimento. Efetivamente, na Árvore da Vida, Daath está no pilar do meio, justo entre Hokhmah (Sabedoria) e Binah (Inteligência), pois se diz que ela surge da união ou combinação destas duas sefiroth, constituindo o próprio conhecimento que a Unidade (Kether) tem de si mesma, o qual se transmite às restantes sete sefiroth (o Microprosopos) através dos canais ou caminhos que as comunicam entre si, dando lugar à criação propriamente dita.

 
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AS PEREGRINAÇÕES

 

A aventura do Conhecimento se descreve muitas vezes como uma viagem ou peregrinação. "Uma viagem de mil milhas começa ante teus pés". Essencialmente, a peregrinação se relaciona com a busca do Centro do Mundo, onde se estabelece a comunicação interna com os estados superiores do próprio ser. Trata-se de atingir a Pátria Celeste, que é a verdadeira morada do homem, pois, como mencionam diversas tradições, o homem é um estrangeiro nesta terra. A palavra "peregrino" não quer dizer senão isso: estrangeiro. "Vós não sois deste mundo". Assim, desde que intuímos que não somos “daqui", a própria vida, com seus avatares, suas lutas, suas paixões, luzes e sombras, converte-se num símbolo exemplar dessa busca interior. A partir desse momento qualquer acontecimento revelará sempre algo, tornar-se-á significativo e simbólico.

Mais concretamente, as denominadas peregrinações aos lugares santos ou sagrados, consideram-se como as etapas do processo iniciático, vinculado à idéia de labirinto e de “perder-se para se encontrar".

Também as provas simbólicas da Iniciação se denominam "viagens" em que, além da influência espiritual que transmitem, são psico-dramatizadas ritualmente as inibições e tendências negativas do ego, esgotando-as ao emergir para o exterior. Apesar de suas múltiplas dificuldades, o peregrino, em sua viagem interna e externa, percorre um caminho arquetípico, aonde o símbolo é vivido (ritualizado) e se lhe revela com toda a potência de sua energia ordenadora, permitindo-lhe conhecer simultaneamente a realidade de um tempo mítico, no que o prodigioso se faz coetâneo com a realidade horizontal.

Tudo se dá na "roda da vida", espelho e receptáculo das energias do Cosmo, que o peregrino, efetivamente, tem que reconhecer em si mesmo para chegar ao centro ou coração imóvel da roda, ali onde se produz a identificação com o Universal e o retorno a sua verdadeira origem.

 
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ASTROLOGIA

 

Para realizar os cálculos astrológicos, além de observar as influências que exercem os planetas nos distintos signos zodiacais, é importante também tomar em conta as relações que eles têm entre si, segundo as distâncias em que se encontrem uns dos outros. Isto determina o que se chamam os "aspectos", entre os quais se destacam os seguintes:

– Conjunção: dois planetas estão em “conjunção", quando se encontram juntos, no mesmo grau de longitude na eclíptica. Em geral se considera uma influência construtiva.

– Oposição: quando estão separados 180º, dividindo o círculo pela metade, o aspecto é inverso ao da "conjunção" e se chama "oposição", aspecto que em geral se considera "maléfico", produtivo de fricção.

– Trígono: este aspecto é o que produzem dois planetas separados entre si por 120º, dividindo ao círculo em três partes. Considera-se como o mais favorável de todos e junta dois planetas em signos que correspondem ao mesmo elemento.

– Quadratura: se a separação entre ambos os planetas é de 90º, diz-se que estão fazendo quadratura, aspecto que se julga como o mais desfavorável, ainda que muitas vezes se trata nada mais que de uma prova severa cuja superação se faz necessária.

– Sextil: é o aspecto que se produz quando estão separados 60º, considerado "benéfico", gerador de atividade e mudanças. Os planetas, neste caso, se encontram em signos harmônicos.

– Quincúncio: a 150º de separação se produz este aspecto, considerado em geral inconexo e contraditório.

Existem também outros aspectos de menor importância, que evitamos mencionar no momento. As distâncias que se dão aqui indicam o aspecto em seu ponto exato e ideal. A influência pode produzir-se ainda que as distâncias difiram um pouco da indicada (às vezes até 5 e 10 graus de diferença). Deve-se entender que as qualificações que se outorgam aos distintos aspectos, de “benéfico" ou "maléfico", são-no de maneira geral, e que para determiná-los precisamente é necessário observar o mapa zodiacal em conjunto Um aspecto "maléfico" pode redundar em “benefícios" e vice-versa.
 
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EXERCÍCIO RESPIRATÓRIO

 
Demos nesta Introdução, determinados exercícios de concentração, respiração, visuais, e inclusive gestuais, todos eles relacionados com os ciclos e os ritmos e vinculados diretamente com a Árvore da Vida Sefirótica. Todas estas práticas favorecem o entendimento do que está mais além do fenômeno e da matéria evidente. Se você não conseguiu realizar alguma destas práticas, queremos lhe sugerir que volte a elas. Às vezes, o mais singelo é o mais complicado, e é necessário voltar atrás para reencetar nosso trabalho. Não desfalecer é o que se necessita. O mesmo quando nos referimos ao entendimento intelectual, que às vezes nos excede, mas que chega a nós através da perseverança, chave de nossos estudos e de suas projeções posteriores. Não podemos imaginar o inimaginável. Portanto, programamos ações e não resultados, que se darão tempo a tempo e por acréscimo. A Fé, que se traduz em fatos e obras, é capaz de mover às montanhas.

 
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O RITO

 

Em diversas ocasiões falamos do rito como um componente básico do conhecimento simbólico e, portanto, da própria vida, que na indefinida variedade de suas formas sempre passageiras é a permanente reiteração de uma ordem arquetípica invariável e eterna. Precisamente a palavra rito, que procede do latim ritus, o que por sua vez deriva do sânscrito rita (raiz rt), não significa outra coisa do que "ordem". Em verdade o rito é o próprio símbolo em ação, pelo que sua reiteração constante em todos os atos de nossa vida vai permitindo que o gradual entendimento das idéias -veiculadas pelos símbolos–, acabem finalmente por incorporar-se em todo nosso ser, balizando assim o processo que nos conduz ao Conhecimento. Por isso quando falamos de ritos, não nos estamos referindo a cerimônias "mágicas", civis ou religiosas. Os ritos iniciáticos de determinadas tradições ainda estão vivos, ainda que seja difícil o acesso a eles. Algumas religiões ou instituições tradicionais conservam os símbolos –e mesmo os ritos–, mas estes carecem de todo conteúdo verdadeiro e estão como vazios, sendo desconhecidos sua essência e esoterismo, ou seja, sua realidade e significação. Para a Tradição Hermética são ritos os estudos efetuados a partir de modelos Herméticos, a concentração que isso implica, a meditação que promove, as práticas que efetivam a visão e o imaginário, a oração incessante do coração como invocação permanente, a contemplação que produzem a beleza e a harmonia da natureza e do Cosmo, e os trabalhos auxiliares encaminhados à conquista do Conhecimento. Neste particular, queremos trazer à memória que há uma identidade entre o ser e o conhecimento. O homem é o que conhece. Que outra coisa poderia ser senão a soma de si mesmo? Ser é conhecer. A saber: que sendo o que conhecemos, a reiteração constante do rito, que sustenta o conhecimento de outras realidades, mundos ou planos do Ser Universal, é uma garantia quanto à identificação com esse Ser e seu conhecimento, através de um caminho hierarquizado, povoado de espíritos, deuses, cores e energias mediadoras.

 
 

Fim do Módulo I

Índice de Conteúdos do Módulo I


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